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domingo, 22 de julho de 2012

Pesquisa comprova que homofóbicos são em maioria aqueles que não toleram sua homossexualidade.



Oque é formação reativa?
Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade. Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.
Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.
Ou seja, para os leigos, toda pessoa que critica com base na “moral”, com muita rigidez, extravagância, alarde, gritaria esta na realidade querendo esconder o seu real desejo, quando ele diz por exemplo: “A homossexualidade é imoral”, ele esta querendo esconder o desejo de relacionar com alguém do mesmo sexo, ele precisa afirmar sua posição contrária para satisfazer seu ego e isso vira uma obsessão, fica doentio, o que me leva a crer que Silas tem sérios problemas com sua sexualidade, assim como Julio Severo, João Campos e todos aqueles que se incomodam tanto e se defendem com base na moral bíblica, religiosa ou seja em qualquer outra com tanta veemência! Fica então o esclarecimento aos leitores 
 Agora vamos a pesquisa!
Em 1996, três psicólogos convidaram 64 voluntários, todos homens heterossexuais, para uma pesquisa, classificando-os em muito ou pouco homofóbicos de acordo com um questionário preenchido pelos sujeitos. Depois disso, foram assistir a três vídeos eróticos de cerca de 4 minutos casa, um mostrando um casal heterossexual, outro com duas mulheres e um com dois homens. Um sensor media o aumento da circunferência peniana, que reflete o grau de excitação sexual, durante os filmes. O resultado é que não houve diferença entre o grau de excitação entre os homofóbicos e não-homofóbicos diante do filme com duas mulheres nem com um casalMas houve uma diferença significativa no grau de excitação entre os dois grupos diante do filme com os homens: adivinhem? O Grupo mais homofóbico foi o que ficou mais tempo vendo o filme Gay e mais tempo exitado!  E não foi só isso. Os participantes deviam assinalar o quão excitados estavam em cada um dos filmes, e normalmente não houve discrepância entre o que os sujeitos diziam e o quanto era medido pelo sensor, a não ser nesse caso, quando os homofóbicos diziam-se menos estimulados do que o verificado em seus corpos – olha aí de novo o aspecto inconsciente apontado por Freud.
Minha última testemunha é o brilhante filme Beleza Americana, Oscar de melhor filme, melhor diretor (Sam Mendes), melhor ator (Kevin Spacey) e melhor roteiro no ano 2000. Um personagem homofóbico e neo-nazista acha que o vizinho (Spacey) é gay. O seu incômodo cresce ao longo do filme, até que, numa das melhores cenas, ele vai até o vizinho, beija sua boca e em seguida o mata com um tiro na cabeça. O desejo inconsciente rompe a barreira da repressão e leva ao beijo, mas é uma situação de tal forma intolerável que o faz exterminar a fonte desse desejo.
Pesquisa: 
Adams, H., Wright, L., & Lohr, B. (1996). Is homophobia associated with homosexual arousal?Journal of Abnormal Psychology, 105 (3), 440-445 DOI: 10.1037/0021-843X.105.3.440  

terça-feira, 3 de julho de 2012

Foi fundada a Associação dos Preconceituosos para reunir quem discrimina


Preste atenção, vou contar uma história
De pessoas que pensavam não ter defeito
Todas se uniram, eram um só grupo agora
Que foi chamado: o grupo do preconceito

Mas o grupo não durou muito tempo unido
Ele não deu muito certo, logo se desfez
Mas o que será que deve ter acontecido?
Eu vou contar sua história, era uma vez...

Cem pessoas participavam daquele evento
Mas a coisa que todas elas tinham igual
Era sem dúvida alguma aquele sentimento
Que deu nome ao grupo e juntou o pessoal

Mas bem no começo, um detalhe perceberam
No grupo de cem, branco não era a regra
Algo estava errado, logo se enfureceram
Pois dentre eles dez eram da raça negra

Lógico, os outros membros os expulsaram
Ficando só os noventa brancos perfeitos
Que tinham preconceitos e não perdoavam
Enfim livres dos detestáveis dez negros

O grupo, reduzido, já estava discutindo
Assim, começaram lá atrás algumas rixas
E vários no grupo acabaram se assumindo
Dos homens lá presentes, dez eram bichas

Vejam só este absurdo, como é que pode?
Bichas em meio aos machões, que nojento
Será que eles querem levar um "sacode"?
Devem gostar de porrada e de sofrimento

Vamos ter que limpar este grupo é agora
Sem essa de opção sexual, macho é macho
Batam bastante, mandem as bichas embora
E quem fizer frescuras aqui eu despacho

Falando em frescura, de quem é o batom?
Entre os oitenta há também dez mulheres
Com covardes e fracas o grupo não é bom
Já para a cozinha, entre copos e talheres

Ficaram assim apenas os setenta machões
Vamos fazer um estatuto, disse um então
Depois de conversas e muitas discussões
Decidiram: o grupo vai virar associação

Chamou-se Associação dos Brancos Machos
Completaram com o termo: Preconceituosos
Mas ao discutirem a religião e os seus atos
Alguns não eram cristãos, nem religiosos

Que absurdo, deus só tem um e é o nosso
Quem não seguir o pensamento vai embora
Exterminar seitas e ateus sei que posso
Fica grupo limpo, por dentro e por fora

Dentre setenta, vinte não eram cristãos
E assim não cultuavam nem vinho, nem pão
Expulsos a pontapés pelos outros irmãos
Sobraram só cinquenta da mesma religião

Mas olharam de novo, para espanto geral
Notaram surpresos, depois das expulsões
Que, nem dessa forma, o grupo era igual
Para uns o aluguel, para outros mansões

É uma vergonha ter pobres no nosso meio
Quem não tem dinheiro de nada nos serve
Aqui não fica pobre, mendigo, esmoleiro
É que os melhores não se juntam à plebe

Vinte pobres que não têm a nossa classe
Fiquem nos barracos ou vão já trabalhar
Seria favor se, sozinhos, nos deixassem
É hora do banquete com lagosta e caviar

Só sobraram ali os trinta privilegiados
Que odeiam e não se misturam com negros
Budistas, mulheres, pobres e nem viados
Queimemos todos por seus medonhos erros

Acho que podemos formar o grupo por fim
Só que não é um grupo, é uma associação
Após escolher o presidente, façam assim
Votem agora no secretário e no escrivão

Esperem, algo aqui ainda não está certo
Este grupo não parece ser bem homogêneo
Enquanto tem um sem estudo e analfabeto
O outro tem doutorado e é quase um gênio

Quem não tem estudo, faça-me já o favor
De se desligar hoje mesmo da Associação
Fiquem aqueles que têm título de doutor
Ou são bem formados, numa boa profissão

E vinte coitados sem estudo, nem letras
Já chamados de burros, de gente anormal
Foram expulsos dali com paus e marretas
E correram pelos fundos, para o quintal

Ali os dez melhores são os que sobraram
Morra quem é mulato, Gay ou de outra fé
E felizes da vida até se cumprimentaram
Mais perfeitos que eles, ninguém mais é

Mas só ao fazerem isso perceberam então
Que um deles tinha um defeitinho na mão
Quem tem dedo torto fica na Associação?
E levantou-se assim, uma nova discussão

Surdo e canhoto, sem direito respeitado
São defeitos da natureza, coisa anormal
Sai do grupo o cego, o mudo, o aleijado
Vamos pôr nisto tudo um bom ponto final

Junto daqueles, havia um manco da perna
Que ajudava o avô de aparelho na orelha
Expulse até os velhos, chega de baderna
Só fica gente sadia, sem a pele vermelha

Colocados para fora sem constrangimento
Todos os diferentes, até gordo e careca
Porque lá não aceitam nem em pensamento
Cadeira de roda, peruca, óculos, muleta

Com a perda dos sete por defeito físico
Só ficaram três deles, já meio abalados
Imaginando se ainda haveria algum risco
E temendo que algo os deixasse isolados

Passada esta fase começaram a conversar
Pois, afinal, ainda eram uma associação
Há coisas a fazer, assuntos a deliberar
Já que eles eram a rica nata da criação

E conversando muito e também discutindo
As coisas foram num instante aparecendo
E não eram iguais entre si nem sorrindo
Só agora é que estavam mesmo percebendo

Quanto a política e futebol discordavam
Cada membro tinha um partido ou um time
Centro, direita, Vasco, Grêmio gritavam
Lá todos tinham uma opinião muito firme

Então viram que o grupo não daria certo
Eram todos diferentes e não concordavam
E já nem podiam ver seu amigo por perto
Que chegava o preconceito e se enojavam

E assim cada um expulsou os outros dois
Por isso, aquela Associação se dissipou
Decidiram sumir, sem deixar para depois
Dessa forma, este horrendo grupo acabou

O tempo passou rápido, mas algo ocorria
E os três decidiram reunir-se novamente
Como não se vive só, o grupo retornaria
Mas desta vez, um novo projeto em mente

Quem é deficiente foi novamente chamado
Pois defeito não era motivo de exclusão
Chamaram também o idoso e o necessitado
Experiência e humildade bem úteis serão

Foi convocado quem tinha estudado pouco
Pois para ser cidadão escola não carece
Veio também o crente, o ateu, o caboclo
Bem-vindos até aqueles de nenhuma prece

O judeu, budista, mórmon ou o candomblé
Avisaram mesmo os que não eram cristãos
Porque agora, não interessava mais a fé
De ônibus, carro, a pé são todos irmãos

A cada dia o grupo ficava mais complexo
Chamaram Travestis, Drags e Transexuais
Todos os que amam alguém do mesmo sexo!
Gay, Bi, Lésbica voltaram a ser normais

Marido e mulher, já não era obrigatório
O casamento Homossexual podia outra vez
A liberdade deste amor era algo notório
Havia filhos de héteros, filhos de Gays

Não importa se você é marrom ou amarelo
Já que essas raças ao grupo pertencerão
Os negros, os mulatos, os pardos vieram
Tenha orgulho da sua cor e sua condição

A mãe, a avó, a cunhada, a tia e a irmã
Encantaram o grupo com o toque feminino
A mulher era reconhecida de novo cidadã
Símbolo do amor, uma nação e o seu hino

De novo as cem pessoas estavam reunidas
Para Formar uma outra Associação, enfim
Tiveram pois, que mudar o nome do grupo
Pois o preconceito não era mais seu fim

O objetivo agora é formar um grupo novo
De pessoas que respeitam seu semelhante
Em tratamento digno, humano, respeitoso
É bem simples, mas é uma ideia brilhante

Afinal, o que diz a lei contra a homofobia?


Entre a extensa lista de citações do filósofo grego Aristóteles, uma é essencial para que todo este texto faça sentido: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”.

Ser Gay não é o único motivo que me faz acreditar que o projeto de lei que adiciona a discriminação aos Homossexuais à lista de crimes de discriminação será benéfico para toda a sociedade.

O que me faz acreditar neste projeto é seu texto, claro, conciso e objetivo. Ao contrário do que vociferam pastores evangélicos Brasil a fora, como Silas Malafaia e o senador Magno Malta (PR/ES), o PL122 não torna os Gays uma "categoria intocável".

A discriminação por orientação sexual (Homo- Bi - Trans e hétero) passa a incorporar o texto de uma lei já existente (Lei 7.716), que pune o preconceito por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero e sexo.

Aprovada a modificação, a lei ganha o texto ‘orientação sexual e identidade de gênero’ como complemento, só isso.

A lei, que já cita uma extensa lista de crimes contra estas fatias da sociedade, adiciona ainda impedir ou proibir o acesso a qualquer estabelecimento, negar ou impedir o acesso ao sistema educacional, recusar ou impedir a compra ou aluguel de imóveis ou impedir participação em processos seletivos ou promoções profissionais para as pessoas negras, brancas, evangélicas, budistas, mulheres, nordestinos, gaúchos, índios, homens heterossexuais, mulheres Homossexuais, Travestis, Transexuais… pra TODO MUNDO!

Ou seja, a lei não cria artifícios para beneficiar apenas os Gays, mas para dar mais garantias de defesa de seus direitos para toda a sociedade, da qual a Comunidade Gay está inserida.

O único artigo que cita diretamente os direitos constituídos a Homossexuais é o oitavo, que torna crime “proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão Homossexual, Bissexual ou Transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos”, deixando claro que os direitos são de TODOS, e não apenas de um grupo seleto de pessoas.

Mas e a liberdade de expressão? O ponto mais criticado por evangélicos, especificamente, é a perda da liberdade de expressão. Ora, onde um deputado em sã consciência faria um projeto desta magnitude e não estudaria a fundo a constituição para evitar incompatibilidades?

O PL122 apenas torna crime atos VIOLENTOS contra a moral e honra de Homossexuais, o que não muda em nada o comportamento das igrejas neopentecostais em relação à crítica.

Uma igreja pode dizer que ser Gay é pecado? Pode. Assim como pode dizer que ser prostituta é pecado, ser promiscuo é pecado, ser QUALQUER COISA é pecado.

A igreja pode dizer que Gays podem deixar o comportamento Homossexual de lado e entrar para a vida em comunhão com Jesus Cristo? Pode, claro! Tudo isso é permitido, se há homossexuais descontentes com sua orientação sexual, eles devem procurar um jeito de ser felizes, ou aceitando sua sexualidade ou tentando outro caminho, como a igreja, por exemplo.

Agora, uma igreja pode falar que negros são sujos, são uma sub-raça e que merecem voltar a condição de escravos?

Pode dizer que mulheres são seres inferiores, que não podem trabalhar e estudar, e que devem ser propriedade dos maridos?

Pode dizer que pessoas com deficiência física são incapazes e por isto devem ser afastadas do convívio social por não serem ‘normais’?

Não, não pode! Da mesma forma, que igrejas não poderão dizer (mesmo porque é mentira) que ser Gay é uma doença mental, que tem tratamento, que uma pessoa Gay nunca poderá ser feliz e que tem de se "regenerar".

Isto é uma violência contra a moral e a honra dos Homossexuais, e este tipo de conduta ofensiva será passiva de punição assim que a lei for aprovada.

O que o PL122 faz é incluir. Ele não cria um "império Gay", como quer inadvertidamente propagar um ou outro parlapatão no Senado. O PL122 não deixa os Homossexuais nem acima, nem abaixo da lei. Deixa dentro da lei.

Quem prega contra a lei tem medo de perder o direito de ofender, de humilhar, de destruir seu objeto de ódio. Quem prega contra o PL122 quer disseminar a intolerância.

E tudo que nossa sociedade precisa hoje é aprender respeito e tolerância, e descobrir de uma vez por todas que é a pluralidade que torna nossas breves existências em algo tão extraordinário.

O peso da “revelação” de Anderson Cooper.


O jornalista americano Anderson Cooper, hoje a maior estrela da rede de notícias CNN, anunciou na segunda-feira [2/7] que é gay. Não foi bem um anúncio formal, e não se trata exatamente de uma novidade, mas o âncora nunca havia tocado publicamente no assunto e sempre foi discreto sobre sua vida pessoal. Cooper fez a revelação em um email ao blogueiro – assumidamente gay – Andrew Sullivan, do site Daily Beast. Sullivan, por sua vez, publicou – com autorização do jornalista – a mensagem na íntegra.
Cooper afirmou que temia que seu longo silêncio sobre o assunto pudesse levar as pessoas a acreditar que ele não se sentia confortável ou tinha vergonha de sua sexualidade. Mas disse que, por seu trabalho o colocar em evidência, tentava manter certo nível de privacidade em sua vida. O jornalista contou que optou por manter a discrição, em parte, por motivos profissionais. “Eu sinto que, às vezes, quanto menos um entrevistado sabe sobre mim, mais eu posso fazer efetivamente e de forma segura meu trabalho como jornalista”.
Cooper escreveu, no entanto, que recentemente começou a se perguntar se os efeitos involuntários de seu esforço para manter a privacidade começaram a pesar mais do que a questão em si. “Ficou claro para mim que, ao permanecer em silêncio sobre certos aspectos da minha vida pessoal por tanto tempo, eu dei a alguns a impressão errada de que estou tentando esconder alguma coisa – algo que me deixa desconfortável, com vergonha ou até com medo. E isso é triste porque simplesmente não é verdade”. Continua ele no email a Sullivan: “O fato é que eu sou gay, sempre fui, sempre serei, e não poderia ser mais feliz, confortável comigo mesmo, e orgulhoso”.
Debate do momento
Sullivan, que é amigo de Cooper, havia pedido ao jornalista um comentário sobre uma capa da revistaEntertainment Weekly, intitulada “A nova arte de sair do armário”, sobre as maneiras discretas como algumas celebridades têm se identificado como gays. “Eu pedi o feedback dele sobre este assunto por razões que são provavelmente óbvias para muitos”, escreveu o blogueiro.
O tema está em alta. Semanas antes, o New York Times havia publicado matéria descrevendo como o ator Jim Parsons, do seriado The Big Bang Theory, havia casualmente se identificado como gay em uma entrevista – segundo o jornal, “mostrando como, para algumas estrelas gays, existe um novo estado normal que evita o coreografado número de sapateado para sair do armário”. No mês passado, uma matéria de capa do New York Observer listava Cooper entre celebridades que não escondiam ser gays, mas se negavam a discutir publicamente suas vidas pessoais.
O âncora gay
A orientação sexual do âncora sempre foi conhecida por seus colegas e amigos no meio jornalístico. Assessores da CNN por vezes tentavam impor algumas regras quando o jornalista era entrevistado para evitar perguntas sobre o assunto. Elas até surgiam, mas ele não respondia abertamente. “Ele me disse, muitos anos atrás, que não queria ser conhecido como ‘o âncora gay’”, afirma Gail Shister, colunista do TVNewser.com. “Ele não queria que sua sexualidade ficasse ligada a sua profissão”.
Desta forma, Cooper, que ancora o programa Anderson Cooper 360 no horário nobre da CNN e contribui com matérias para o 60 Minutes, da CBS, nunca pensou em anunciar sua sexualidade na TV, de acordo com diversos colegas de trabalho. Ele se importava bastante, no entanto, com notícias de ataques e outras formas de discriminação a gays, temas que sempre cobriu amplamente em seus programas. Por causa de sua posição de destaque no telejornalismo americano, afirmou um ex-produtor, Cooper passou a sentir que podia fazer alguma diferença – ele se torna, com o anúncio, o mais famoso jornalista abertamente gay da TV americana.
TV, política e sociedade
Muitas das reações imediatas ao anúncio nas redes sociais e blogs sobre jornalismo foram do tipo “eu já sabia”, “era óbvio”, etc. Mas houve quem avaliasse que a declaração pública do âncora poderá, mais para frente, impulsionar o processo de aceitação de homossexuais na sociedade americana, tendência que tem ficado evidente em pesquisas ao longo das últimas décadas. Nos últimos 20 anos, a TV nos EUA passou a refletir essa aceitação crescente, e a estimulá-la – muitas vezes em seriados com personagens gays comoEllen e Modern Family.
Há dois meses, o presidente Barack Obama afirmou seu apoio ao casamento gay, elevando os direitos legais entre parceiros do mesmo sexo a um tema a ser debatido na campanha presidencial deste ano. Naquela mesma noite, Cooper começou seu programa na CNN afirmando que a mais recente pesquisa do instituto Gallup dizia que 50% dos americanos concordam que o casamento entre pessoas do mesmo sexo devia ser legal; e 48% dizem que não. “Então metade do país apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e esta noite esta metade inclui o presidente dos EUA”, concluiu.
“A visibilidade dos gays é um dos principais meios para nossa igualdade”, escreveu Sullivan no post que trazia o email de Cooper. O jornalista concorda: ainda que pretenda continuar a preservar sua privacidade, ele diz que “a visibilidade é importante, mais importante do que preservar meu escudo de privacidade de jornalista”. Com informações de Brian Stelter [The New York Times, 2/7/12]
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Facebook cria ícones para casamento gay


Nos Estados Unidos, casais homossexuais podem assinalar seu casamento com ícones mostrando dois noivos ou duas noivas na linha do tempo do Facebook.


Foto na página de Chris Hughes no Facebook
Foto na página de Chris Hughes no Facebook: para os brasileiros, um símbolo de erro aparece no lugar do ícone
São Paulo — O Facebook parece estar dando mais um passo em sua trajetória como rede social amigável ao público gay. Agora, ao menos nos Estados Unidos, casais homossexuais podem indicar seu casamento, na linha do tempo, usando ícones específicos no lugar daquele que mostra uma noiva e um noivo. Os novos ícones exibem, lado a lado, duas noivas ou dois noivos.
A novidade foi vista primeiro na página de um dos cofundadores do Facebook, Chris Hughes. Ele se casou, neste último fim-de-semana, com seu namorado Sean Eldridge e publicou fotos da festa na rede social. Na tarde de segunda-feira, porém, para quem acessava osite no Brasil, um símbolo de erro aparecia no lugar do ícone sobre a foto de Hughes e Eldridge na linha do tempo. Isso sugere que talvez o ícone ainda não esteja disponível para os brasileiros.
A novidade recebeu elogios da Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD), organização não governamental americana que zela pelo tratamento dado aos homossexuais na mídia. A entidade já tem uma parceria com o Facebook há alguns anos e chegou a premiar a rede social com seu GLAAD Media Awards pelas ações amigáveis ao público gay.

domingo, 1 de julho de 2012

Confira JÔ COSMÉTICOS

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domingo, 13 de maio de 2012

"Direitos": A violência doméstica entre casais gays


"Direitos": A violência doméstica entre casais gays
É condição natural do ser humano a busca por uma companhia. Parece necessária a vivência de uma longa história de amor para que se possa afirmar com clareza o quanto se é feliz.

Somar nossa vida e ideais com outro alguém requer o mínimo de afinidade, sintonia e afeto. Somente na condição de respeito é que se é permitido vivenciar, intensamente, um relacionamento.
Contudo, o que era lindo no início pode ceder espaço pra uma trajetória que já não caminha bem nem tem final feliz. Há quem descubra a verdade existente no parceiro da pior forma: vivenciando situações de violência.
O que outrora era amor, hoje acarreta medo, angústia e muita dor. A violência doméstica entre os casais homossexuais aponta números assustadores. Tenho recebido diversas comunicações e pedidos de ajuda versando esse tema.
Falar sobre esse assunto é delicado. Resolvê-lo requer romper o silêncio, enfrentar o medo, sobretudo, enfretar um relacionamento fadado ao insucesso e toda dor física e emocional gerada pelo parceiro.
Sabemos o quanto é comum que muitos casais dividam do mesmo espaço, sem que as famílias saibam de sua orientação sexual. E é assim, no anonimato, que inúmeros casais vivenciam uma história de vida e amor: sem convite nem espaço para família nem amigos. E assim, fechados em um mundo pertencente ao casal, so é permitida a condição de enfrentar as mais diversas situações de forma silenciosa.
Certamente já ouvimos notícias de que fulana foi agredida pelo marido - comentário sempre ligado à ideia de violência contra a mulher em razão da Lei Maria da Penha. E quando essa agressão envolve um casal homossexual? E quando é o João que bate em José, que se vê cercado nesse mundo silencioso e distante do convívio social que o assola, sem ter para onde correr? E quando Maria agride Joana de forma constante em razão de seu ciúme doentio?

Sabemos que o Estado, por intermédio dos serviços de polícia, não consegue realizar atendimento respeitador da condição de cada ser humano. A lavratura de um simples Boletim de Ocorrência pode ser também uma situação de constrangimento, de ridicularização e de medo - da sociedade e do agressor.
Percebo que muitos casais homossexuais têm vivenciado algum tipo de violência doméstica, e não limito à ideia de agressão física, mas também aquela que é psicológica, socioeconômica e sexual.
Importa aqui destacar que ao Direito sempre compete tutela e proteção ao que é agredido, independente da forma de violência experimentada. Medidas protetivas e outras preventivas devem ser tomadas a fim de que possamos assegurar a integridade daquele que vivencia a dor e humilhação.
Há precedentes no Poder Judiciário sobre a aplicação da Lei Maria da Penha entre casais homossexuais, e se essa mesma lei melhor tutela os interesses de uma relação homoafetiva, sem que se ridicularize nem exponha os envolvidos numa condição de humilhação pela orientação sexual, que seja aplicada - devendo ser desconsiderada a formalidade da letra fria da lei, alegando que só se aplica às mulheres em condições de violência doméstica.

Ainda que haja resistência de alguns tribunais pelo reconhecimento da violência doméstica nas relações homossexuais, nada justifica o estágio de permanência numa relação que machuca, pois temos em pleno vigor um Código Penal que certamente os defende.
Romper o silêncio e enfrentar o agressor é processo difícil - sobretudo aquele que é ameaçado pelo agressor de revelar sua homossexualidade ao amigos, familiares e em todo ambiente de trabalho.
O apoio ao agredido homossexual é necessário pela família, serviços sociais especializados, psicólogos e juristas, para que esse sujeito efetivamente saia dessa situação de violência.

Saibam que amor não causa dor física nem moral. Também nao te expõe a situações vexatórias e de constrangimento. Não te aborrece, tampouco te permite fazer o que não quer. Amor de verdade não limita, apenas liberta.
Se você vivencia alguma situação de violência, denuncie! 

Busque orientação jurídica a fim de que sejam tomadas as providências necessárias, garantindo assim sua integridade física e psíquica. Afinal, amor não causa dor nem morte...

"Direitos": Homofobia e diversidade sexual


"Direitos": Homofobia e diversidade sexual
Que todos somos iguais perante a lei não temos dúvidas. Essa afirmação não soa novidade, não inova.

Ainda que a passos lentos e de forma tímida, a homossexualidade, bem como a afetividade entre indíviduos do mesmo sexo, têm desenvolvido significativos avanços no que se refere ao seu reconhecimento pelo Poder Judiciário. Nesse sentido, basta atentarmos à recente decisão do Supremo Tribunal Federal. É a dignidade de cada indivíduo que garante sua igualdade de tratamento perante a lei, independente de sua orientação sexual. 

O que dizer e pensar daqueles que experimentam o preconceito em ambiente de trabalho, na universidade, em seu meio social? Tanto se diz sobre homofobia, mas todos realmente sabem seu real significado e quais as implicações de seu reconhecimento como crime? A homofobia é o conjunto de sentimentos e atitudes, sempre negativos e que demonstram aversão a toda identidade de gênero. Há definições diversas, mas qualquer seja o conceito dado reflete sempre o sentimento de desprezo, resultando numa conduta preconceituosa e discriminatória no intuito de desprestigiar alguém.

Tenho acompanhado as manifestações ativistas em prol da aprovação do Projeto de Lei Complementar 122/2006. Esclareço que o Projeto de Lei é minucioso (não completo) e define como crime as práticas resultantes de discriminação ou preconceito relativas à orientação sexual e identidade de gênero e estipula punições para as diversas ações consideradas discriminatórias, tratando a homofobia do mesmo modo que o crime de racismo.

Pelo projeto, há de ser afirmado que todo cidadão ou cidadã que sofrer discriminação por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero poderá prestar queixa formal na delegacia. É esta ocorrência que dará abertura ao procedimento que verse processo judicial penal, oportunidade na qual o réu estará sujeito às penas definidas em lei.
Ao juristas, bem como ao que partilham do entendimento da desnecessidade de uma lei que trate o assunto, considerando a igualdade constitucional e o crime de injúria já previsto no Código Penal, há de ser ressaltado o fato de que a igualdade prevista na Constituição não coíbe o preconceito existente na sociedade. Preconceito que muitos experimentam em seus trabalhos, universidades e meio social.
Há de ser considerado ainda que em razão da singularidade que envolve o assunto, há de ser dispensada especial atenção e tratamento. Afinal, uma manifestação de preconceito atinge não apenas o indivíduo que sofre, mas também aos seus familiares, amigos e tantos outros que não conseguimos mensurar, até mesmo uma sociedade, por que não?

Se ao direito compete a tutela da dignidade de cada pessoa, garantindo o bem-estar social, devemos compreender que um projeto de tamanha grandeza reflete a preocupação de nosso país com o a defesa dos direitos humanos, sobretudo, a preocupação em ofertar uma condição digna daqueles que apenas amam o que é igual e necessitam viver em paz, sem sofrer agressões verbais, físicas e/ou psicológicas.
Ergamos nossa bandeira, não pelo fim da homofobia, mas por toda e qualquer forma de discriminação e preconceito.

"Direitos": O preconceito no ambiente de trabalho


"Direitos": O preconceito no ambiente de trabalho
Com profundo sentimento de pena é que esta coluna Direitos é publicada. 

Ainda não tivemos a oportunidade de falar sobre o preconceito pela discriminação por orientação sexual no local de trabalho. E antes mesmo que falássemos, a mídia retrata a fala da deputada Myrian Rios.

Mais uma vez, registro meu repúdio contra toda e qualquer manifestação de preconceito. Qualquer argumento a ser utilizado como resposta à deputada seria grande quando comparado à lamentável pequenez de seu discurso.

Insisto na importância do voto e do acompanhamento, pelo público LGBT, do efetivo trabalho daqueles que compõem nosso Poder Legislativo. Sabemos a infinidade de situações discriminatórias decorrentes do preconceito. Quando vivenciado no ambiente de trabalho, tratamos de uma situação bem particular, afinal, falamos de um determinado cidadão que dispensa cerca de 8 horas diárias do seu tempo num local onde sofre situações de bullying, constrangimentos morais, físicos e psicológicos, entre tantas outras.

Bem certo de que a orientação sexual não diminui ninguém. Tampouco determina a capacidade do desenvolvimento de um trabalho de qualidade. Seja o trabalho hétero, homo ou bissexual.

A liberdade sexual, assim como a religiosa, refletem toda nossa liberdade de fazer ou não tudo aquilo que acreditamos ser o melhor para nossa existência, enquanto seres merecedores de dignidade humana.

Atualmente, a legislação veda qualquer pratica discriminatória (leve o nome de crime de homofobia ou não). E assim acontece nas relações de trabalho.

No Brasil, embora de pouco conhecimento, existe em pleno vigor a Lei 9.029/95, que proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização e outras práticas discriminatórias para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho, e dá outras providências. Verdade que a legislação evidencia o cuidado com a gestante, mas a segunda parte de seu teor tem sido constantemente aplicada nos casos de discriminação por orientação sexual no local de trabalho.

Ninguém sabe ao certo como lidar com discriminação no local de trabalho, afinal, qualquer atitude ensejaria o rompimento daquele ganha-pão. E, dessa forma, o fruto do sustento não mais existirá.

Há os que ficarão calados por todo sempre, motivados pelo medo. Por receio do emprego perdido. E assim, movidos pelo silêncio, permitirão uma situação de profunda tristeza para si e aos demais.

Devo esclarecer que a Lei citada menciona que o rompimento da relação de trabalho por ato discriminatório enseja ao direito do dano moral, sem prejuízo de que o empregador readmita o trabalhador (nesses casos haverá ressarcimento integral de todo o período de afastamento, mediante pagamento das remunerações devidas, corrigidas monetariamente, acrescidas dos juros legais) ou a percepção, em dobro, da remuneração do período de afastamento (corrigida monetariamente e acrescida dos juros legais).

Situações que envolvam preconceito são, ao meu ver, injustificáveis por própria natureza. Delas não derivam o respeito ao próximo, a liberdade sexual e, sobretudo, a dignidade existente em cada ser.

Há, ainda, ofensa e discriminação no local de trabalho quando existe manifesta compreensão de que aquela promoção de cargo nunca será para você, que "não possui o perfil da vaga". 

Oriento no sentido de que estejam atentos e não tolerem situações de constrangimento. Informem-se, esclareçam suas dúvidas e na necessidade, procurem profissionais sensíveis à causa. O preconceito mata!

E na certeza de que a conquista de cada direito ao público LGBT seguimos nossa trajetória.

Tratar os direitos homoafetivos não se limita apenas à discussão de assuntos sobre casamento e união civil ou sobre os aspectos criminais. Tais direitos merecem ser acolhidos sob o prisma dos direito humanos, fazendo compreender que existe muito mais em cada ser do que a simples orientação sexual que manifesta.

"Direitos": Como recorrer à herança em caso de morte do companheiro?


"Direitos": Como recorrer à herança em caso de morte do companheiro?
O direito homoafetivo é campo novo no meio jurídico. Inúmeras discussões e interpretações foram e são travadas, visando uma solução de conflitos que a lei sempre omitiu.
Bem certo que o recente julgamento pelo STF contribuiu, e muito, à elevação e perpetuação dos direitos homoafetivos ao patamar da Justiça.
Agora, os problemas judiciais que envolvem esses casais ganham novo formato. Esses casos são agora discutidos com a atenção e cautela que sempre mereceram.

Falar sobre a tutela do direito na relações homoafetivas não reflete apenas aos ganhos. Inúmeras vezes haverá de ser enfrentada a perda.
Perda inclusive de um ente querido. Perda daquele companheiro com o qual se construiu uma vida, sonhos e projetos.

Bem certo que a morte não é um assunto que agrada a muitos. Quando tocamos nela, incorremos na saudade e na ideia de prosseguir o caminho sem a presença de alguém que amavámos e que agora não está mais aqui. Contudo, aspectos que derivam desse falecimento devem ser tratados pelo direito, pois com a morte surge o que chamamos de sucessão. Nesse momento, os bens em nome daquele que falece se transferem aos herdeiros, que vão adquirir o que lhes compete mediante a posterior partilha, mas que desde já conservam a condição de herdeiros.

Adquirir um bem nessa condição requer, necessariamente, que os herdeiros sejam entes familiares. A ordem de descendência e ascendência é que define a quem caberá a destinação dos bens. Essa ordem é assunto bastante técnico e eu não pretendo cansá-los falando sobre isso, mas apenas esclarecer como tem sido compreendida a sucessão na relação homoafetiva.

Constituir um patrimônio ou mesmo engrandecê-lo mediante esforço comum só ocorre com a participação de mais pessoas. Quando tratamos especialmente da união de duas pessoas, referimos à união estável - agora pouco importa se hétero ou homosexual, uma vez que o julgamento do STF reconheceu a união homoafetiva como entidade familiar, afirmando o direito a herança entre os casais homoafetivos.

Ressalto que os mesmos requisitos presentes numa união homoafetiva é que acabam justificando o direito a herança. À união estável, diz a lei, caberá o regime da comunhão parcial de bens. Isso é, há adoção automática do regime da comunhão parcial de bens e, na extinção dessa relação, os bens adquiridos a título oneroso durante a união serão divididos por igual entre ambos.

Bem certo de que a realização de um contrato particular de convivência possibilita ao casal que vive em união estável estabelecer regras atinentes à administração e disponibilidade dos bens diferentes das atinentes ao regime da comunhão parcial de bens, criando seu próprio estatuto patrimonial, direcionando ainda a partilha na hipótese de extinção da união estável. 

Atentem-se, contudo, que na sucessão por morte de um dos conviventes o regime eleito em contrato não tem reflexos diretos na divisão, a não ser para se ter conhecimento dos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, aplicando-se no caso a divisão concorrencial com os filhos de ambos ou só do autor da herança.  

Considerando ainda que é no falecimento de um dos companheiros que muitas famílias aparecem e se sentem convidadas a adentrar a partilha dos bens, é que se faz necessário a busca pela informação e pela orientação jurídica.  

Muitas situações desgastantes e humilhantes poderiam ser evitadas. Mas não temam, somente lutando é que todos terão acesso a um Poder Judiciário sensato e igualitário.

"Direitos": Quando uma ofensa à orientação sexual pode ser considerada dano moral?


"Direitos": Quando uma ofensa à orientação sexual pode ser considerada dano moral?
A sexualidade é assunto complexo. Objeto de estudo de diversas ciências, tentamos compreendê-la por que é algo inerente á própria condição de SER pessoa.

A sociedade, ainda que por extrema curiosidade, fala sobre sexualidade. Algumas pessoas com mais, outras com menos, intimidade ao assunto. 
Fato é que quando nos referimos á orientação sexual do próximo, sempre existe uma piada, um comentário, uma crítica... A ciência juridica não demonstra interesse na discussão sobre a sexualidade, mas as implicações que dela decorrem certamente encontram (e merecem) tutela do Poder Judiciário.

A homoafetividade ainda é assunto polêmico. E nessa ideia de 'novidade' para sociedade, uma nova discussão tem sido travada, uma luta contra atitudes homofóbicas também. Mas quando uma ofensa, um comentário e/ou uma atitude relacionadas à orientação sexual de alguém deixa de ser considerada mera ofensa e passa a ser considerada dano moral? Afinal, quantas vezes não ouvimos a famosa frase repressiva: "Cuidado, isso dá dano moral!".

Primeiramente, devo esclarecer que o dano moral não 'nasce' com o choro ou mesmo com uma sensação de tristeza. Chateções decorrentes da vida cotidiana não são tuteladas pelo direito, por serem compreendidas como condição de existência humana. Todavia, o dano moral tem previsão na Constituição Federal, assegurando reparação em dinheiro, que decorre quando um ato ilicito de alguém violou a honra, a imagem, a intimidade  e/ou a vida privada.

Aliás, ressalto que o Brasil (Segundo a Constituição Federal) tem por objetivos, dentre outros, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer formas de discriminação (art. 3º, IV, da CF). De modo que, qualquer pessoa, de ambos os sexos, tem liberdade de adotar a orientação sexual que quiser.

A ideia da qual não podemos nos desprender é que a liberdade afetiva-sexual é inerente a cada pessoal, faz parte da essência de cada ser enquanto uma existência digna. Somente pelo respeito é que garantimos uma sociedade justa e igualitária. Precisamos nos atentar e compreeer que o dano moral é intrínseco, subjetivo, evidencia-se na dor, na angústia, no sofrimento, no desprestígio, na desconsideração social, no descrédito à reputação, na humilhação pública.

Existe dano moral quando alguém, ao falar de sua orientação sexual acaba no devassamento da privacidade, acarretando desequilíbrio da normalidade psíquica, traumatismos emocionais, depressão ou desgaste psicológico. Pela subjetividade da questão que é tarefa difícil valorar quanto vale o dano moral. É preciso considerar o sentimento da pessoa ofendida e atribuir um valor econômico para reparação moral, porque para um, o ato pode causar certo grau de sofrimento, para outro, o mesmo ato pode ter uma intensidade menor ou maior.

E assim, na inexistência de valores pré-fixados para quantificar o dano moral, o arbitramento deve ser feito com moderação, proporcionalmente ao grau de culpa, considerando-se o nível sócio-econômico do autor e ainda o porte econômico do réu, orientando-se pelo princípio da razoabilidade, valendo-se da experiência do Juiz, que deve atentar-se à realidade da vida e as peculiaridades de cada caso concreto.

Alias, é de extrema importância que seja demonstrada a condição em que ocorreu o dano moral e a consequência ocasionadas pelo dano. São elas que em hipótese de indenização, ajudarão a quantificar o sofrimento, a mágoa, a humilhação enfrentada pelo ofendido. Esclareço ainda que o dano moral quando relacionado a orientação sexual não tutela apenas a homoafetividade. Aos bissexuais, aos transgêneros e, sobretudo, aos heterossexuais.

Uma ofensa de natureza afetivo-sexual pode não lesar muitas pessoas, mas contribui para o preconceito e, assim, maltrata toda uma sociedade. 
A expressão sadia da orientação sexual não pode e nem deve incomodar ao olhos de ninguém. Denunciar condutas de que atenta à sexualidade alheia é ato de respeito consigo e ao próximo. Justiça não se faz com tolerância, mas com respeito. Solidariedade já!

"Direitos": Por que tanto incômodo quanto ao casamento gay?


"Direitos": Por que tanto incômodo quanto ao casamento gay?
O direito, como as demais ciências, têm destinado maior importância às questões sobre as identidades sexuais. Atualmente, muito se discute sobre os reflexos sobre as manifestações homoafetivas na sociedade como um todo. Bem certo de que a mídia tem destinado maior espaço ao tema.

Por essa razão, tivemos a oportunidade de ter acesso aos dados da recente pesquisa do IBGE, que trouxe a informação de que 55% da população brasileira repudia o casamento gay. Sobre a pesquisa, desconheço a metodologia e a amostragem utilizada. Nem quero conhecer, pois não consigo compreender como um número inexpressivo de pessoas ouvidas numa pesquisa de opinião publica, somado ao poder (negativo) da mídia em massa, possa refletir ações (e reações) numa sociedade toda.

Também não compreendo como uma sociedade dita em sua maioria como heterossexual possa expressar um inconformismo sobre uma união entre duas pessoas do mesmo sexo. Afinal, é algo que não faz parte da realidade a ser vivida por ela. Por que tanto incômodo? A expressão de uma orientação sexual diversa da dita "normalidade heterossexual" incomoda porque traz inquietude na vida social. Observar uma realidade da qual não se participa faz com quem cada pessoa tenha de rever seus conceitos, preconceitos e também o modo de aceitar, respeitar e tolerar as diferenças.

Tanto trabalho pode ser substituído pela indiferença e preconceito. Afinal, mais fácil é se fazer de desentendido e preconceituoso à mudar as bases educacionais, morais e éticas existente e consolidada em cada pessoa. O direito, ao reconhecer e estender os direitos da união estável heterossexual às homoafetivas não inovou, apenas RECONHECEU uma realidade social muito antes construída. Elevando o que antes era marginalizado ao patamar da dignidade. Tirando da escuridão uma situação que há milênios a sociedade já experimentava e que já assistíamos.

Quando decidi profissionalmente escrever sobre o direito homoafetivo não limitei meus pensamentos (única e exclusivamente) para os aspectos patrimoniais de uma relação que, agora, pode ser formalizada perante um cartório por força de uma decisão judicial. Tratar os direitos homoafetivos é estar apto à defesa de direitos humanos. Significa o anseio e desafio profissional de tutelar situações que expõem SERES HUMANOS à homofobia, à violência física e moral, à coação no local de trabalho, aos direitos previdenciários não concedidos, ao direito a saúde e fornecimento de medicamentos, à sucessão e outra série infinita de direitos.

A orientação sexual merece tutela jurídica porque é inerente à condição de ser pessoa. Expressá-la é mais que um direito à dignidade da pessoa humana. É a certeza de vivenciar uma sociedade justa. Se por ora não podemos experimentar de uma sociedade igualitária, que ela seja ao menos, equitativa. Somente com indivíduos aptos à tolerância é que se pode construir um ambiente justo, ainda que se evidencie a desigualdade. A orientação sexual independe de aceitação. Buscar aceitação pela família, sociedade e demais convívio social seria "pedir autorização" para ser quem você é. Creio não se precise disso. Situações de violência domestica, expulsão de filhos de casa por famílias inconformadas e outras infinitas realidades poderiam ser evitadas se cada pessoas pudesse TOLERAR a expressão sexual de alguém que a manifesta de forma sadia, dentro de uma limite razoável que o faça ser respeitado no âmbito social.

A homoafetividade não é expressão anormal de sexualidade. Anormal é aceitar a idéia de que violência e intolerância sexual são comuns - que sempre existiram e existirão. Partilho do entendimento de que um longo e árduo trabalho educacional deva ser feito, mas enquanto não se muda uma sociedade inteira, que tal mudarmos nossa visão particular e permitir assim o direito fundamental à tolerância ao próximo? Não permitam o silêncio. Situações vexatórias e de violência física e moral devem ser denunciadas.

Procure sempre um advogado de sua confiança e que respeite sua dignidade enquanto pessoa.

Forte abraço!